
O ministro do Turismo, Celso Sabino, decidiu permanecer no governo federal, apesar da pressão crescente do União Brasil, partido ao qual é filiado. A legenda havia determinado que todos os seus quadros que ocupam cargos na administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deveriam entregar os postos, sob pena de sanções internas.
“Tenho a confiança do presidente Lula e vou seguir trabalhando pelo Brasil e pelo povo do Pará”, declarou Sabino em entrevista recente. A fala veio após semanas de impasse político, nas quais ele chegou a entregar uma carta de demissão a Lula, mas não teve seu desligamento oficializado.
O estopim da crise foi a decisão da cúpula do União Brasil de se afastar do governo federal, movimento que atinge diretamente os ministros da legenda, como Daniela Carneiro (ex-Turismo) e Juscelino Filho (Comunicações). Sabino, no entanto, optou por desafiar a orientação da sigla e permanecer no ministério.
Segundo o próprio ministro, sua permanência está diretamente ligada à importância estratégica da COP‑30, a conferência climática da ONU que será realizada em Belém (PA), em 2025. “Não posso abandonar um projeto tão importante para o país. A COP-30 será histórica, e o Turismo tem papel fundamental na preparação do evento”, afirmou.
A decisão de Sabino já repercute dentro do partido. A Executiva Nacional do União Brasil abriu um procedimento que pode resultar em sua expulsão por infidelidade partidária. Além disso, ele pode ser afastado de funções internas até a conclusão do processo disciplinar.
Dirigentes do União afirmam que a decisão de deixar o governo foi coletiva e visa consolidar uma posição mais independente em relação ao Palácio do Planalto. A insistência de Sabino em permanecer, portanto, contraria o alinhamento estratégico da legenda.
Nos bastidores, aliados de Sabino avaliam que a movimentação do partido pode ter motivações eleitorais e disputas internas de poder, sobretudo com foco nas eleições de 2026.
Apesar da pressão, Sabino acredita contar com o apoio do presidente. Ele destacou que Lula ainda não aceitou sua carta de demissão e tem reiterado confiança em sua atuação. “Tenho trabalhado com seriedade, cumprindo metas e fortalecendo o setor de turismo no país. Isso é o que importa”, disse o ministro.
O governo federal, por sua vez, tem adotado cautela. O Planalto evita confrontar diretamente o União Brasil, mas também não quer abrir mão de quadros que estejam entregando resultados positivos em áreas estratégicas.
Com a COP-30 se aproximando e as pressões políticas aumentando, o futuro de Sabino no governo permanece incerto. Ele se mantém firme no cargo, mas terá de lidar com o risco real de rompimento com seu partido, o que pode isolar politicamente sua atuação e comprometer eventuais planos eleitorais.
Nos próximos dias, o União Brasil deve avançar com o processo interno que pode definir o destino partidário do ministro. Enquanto isso, Sabino continua despachando normalmente, apostando que o trabalho à frente do Turismo falará mais alto do que as articulações partidárias.
