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Congresso derruba 56 vetos de Lula e flexibiliza licenciamento ambiental uma semana após a COP30

Decisão reacende debate sobre retrocessos ambientais e coloca pressão sobre governo, sociedade civil e STF; organizações apontam risco imediato a biomas e comunidades tradicionais

Publicada em 29/11/25 as 10:54h por Da redação com informação da Agência Brasil
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O Congresso Nacional derrubou, na noite de 27 de novembro, 56 dos 63 vetos apresentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à nova lei de licenciamento ambiental. A decisão, tomada em sessão conjunta e marcada por participação reduzida de parlamentares, restabelece trechos considerados por especialistas como os maiores retrocessos ambientais das últimas décadas.

A votação ocorreu menos de uma semana após o encerramento da COP30, realizada em Belém (PA), o que ampliou críticas sobre a incoerência entre o discurso climático apresentado pelo Brasil no cenário internacional e as medidas aprovadas internamente.

O que muda com a derrubada dos vetos

Com a restauração dos dispositivos anteriormente vetados, voltam a valer pontos que:

  • Simplificam processos de licenciamento, permitindo que atividades de médio impacto utilizem a modalidade de Licença por Adesão e Compromisso (LAC), dispensando análises ambientais aprofundadas.

  • Transferem para estados e Distrito Federal a prerrogativa de definir regras de licenciamento para determinados empreendimentos, reduzindo a influência de órgãos federais.

  • Amenizam exigências para obras em áreas sensíveis, como zonas da Mata Atlântica, Cerrado e Amazônia.

  • Enfraquecem processos de consulta obrigatória a povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais afetadas.

Sete vetos foram mantidos provisoriamente, todos relacionados ao Licenciamento Ambiental Especial (LAE) — mecanismo que prevê análise em fase única para grandes obras. A discussão sobre esses pontos deve voltar à pauta nas próximas semanas.

Repercussão: governo lamenta, ambientalistas reagem

O governo classificou a decisão como uma derrota significativa para a agenda ambiental. A Secretaria de Relações Institucionais afirmou que o Brasil “perde com a redução da proteção aos biomas, à saúde pública e às comunidades tradicionais”.

Organizações socioambientais também reagiram. O Observatório do Clima, o ISA e outras entidades anunciaram que irão acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para contestar trechos da nova lei. Também estão previstas mobilizações em capitais brasileiras.

É o maior retrocesso ambiental em décadas. O Congresso desmonta salvaguardas básicas num momento em que o país deveria estar liderando a proteção da natureza”, afirmou em nota uma das frentes que articulam as ações judiciais.

Contexto político: pressão do agronegócio e da construção civil

A derrubada dos vetos foi impulsionada por parlamentares ligados ao agronegócio, mineração, construção civil e infraestrutura. Esses grupos defendem que o modelo anterior de licenciamento exigia prazos longos e burocracias que atrapalhavam investimentos.

Na prática, apoiadores da flexibilização argumentam que o novo texto dará mais “agilidade” ao setor produtivo e permitirá acelerar obras de relevância econômica, como rodovias, hidrelétricas e projetos de irrigação.

Ambientalistas, por outro lado, alertam para o risco de que estados promovam uma “corrida ao afrouxamento ambiental”, reduzindo exigências para atrair empreendimentos.

COP30 e imagem internacional do Brasil

A proximidade da decisão com a COP30 elevou a pressão sobre o governo. Durante o evento global, o Brasil havia reforçado compromissos de combate ao desmatamento, proteção da Amazônia e transição energética.

A aprovação do texto pelo Congresso é vista como um sinal contraditório ao que foi apresentado à comunidade internacional.

O timing foi um recado claro de que a bancada ruralista tem força para impor retrocessos, mesmo diante da agenda climática”, avalia uma pesquisadora de políticas ambientais ouvida pela reportagem.

O que esperar daqui para frente

A implementação das novas regras deve ocorrer de forma escalonada, mas especialistas afirmam que os impactos podem ser sentidos já nos próximos meses, sobretudo em:

  • grandes obras de infraestrutura que aguardam licenciamento;

  • setores de mineração e agropecuária, que pressionam por rapidez na abertura de novas áreas;

  • comunidades tradicionais, que perdem ferramentas de participação e contestação.

Os sete vetos restantes ainda poderão ser votados em nova sessão. Se forem derrubados, o texto se tornará ainda mais flexível.

Enquanto isso, o STF pode vir a ser o último obstáculo para conter o avanço do chamado “PL da Devastação”, como vem sendo apelidado por ambientalistas.




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