
A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar supostas irregularidades no uso de recursos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (CEAP) envolvendo o líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ).
A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro, tendo como foco a apuração de um possível esquema de desvio de recursos públicos por meio de contratos considerados suspeitos, utilizados para justificar despesas parlamentares.
Durante as diligências, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 400 mil em dinheiro vivo na residência do deputado Sóstenes Cavalcante. Além do valor em espécie, foram recolhidos documentos, aparelhos celulares e materiais eletrônicos, que agora passarão por perícia para aprofundar as investigações.
De acordo com a PF, há indícios de que assessores parlamentares e terceiros teriam participado de um esquema estruturado para o uso indevido da cota parlamentar. A suspeita é de que despesas fictícias ou simuladas — especialmente relacionadas à locação de veículos — fossem utilizadas para justificar gastos, permitindo o desvio de recursos públicos.
As investigações apontam para movimentações financeiras milionárias envolvendo contas de assessores ligados aos parlamentares, o que levantou suspeitas de crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A operação atual é um desdobramento de investigações iniciadas em 2024, quando assessores dos mesmos parlamentares já haviam sido alvo da Polícia Federal em apurações relacionadas ao uso da cota parlamentar.
O deputado Carlos Jordy afirmou, por meio das redes sociais, que considera a operação uma forma de perseguição política, negando irregularidades. Já Sóstenes Cavalcante ainda não apresentou posicionamento detalhado após a operação.
Com o material apreendido, a Polícia Federal deve avançar na análise dos dados financeiros e das comunicações dos investigados. O caso segue sob a relatoria do STF, e novas fases da operação não estão descartadas.
A investigação reacende o debate sobre a fiscalização do uso da cota parlamentar, benefício destinado a custear despesas do mandato, mas frequentemente alvo de questionamentos quando há suspeita de mau uso de recursos públicos.
