
Brasília – Parlamentares da oposição anunciaram nesta semana a intenção de apresentar um novo pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A iniciativa vem acompanhada da articulação para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master.
Mesmo durante o recesso do Congresso Nacional, deputados e senadores oposicionistas retornaram a Brasília para intensificar a coleta de assinaturas e dar visibilidade ao movimento. A expectativa do grupo é protocolar formalmente o pedido no início do próximo período legislativo.
Segundo líderes da oposição, o pedido de impeachment se baseia em indícios de possível conflito de interesses. Parlamentares alegam que Alexandre de Moraes teria mantido contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, relacionados a temas que envolveriam o Banco Master, instituição que é alvo de questionamentos e investigações.
Outro ponto citado no documento diz respeito a um contrato firmado entre o escritório de advocacia da esposa do ministro e o Banco Master. Para a oposição, a relação comercial levanta dúvidas sobre imparcialidade e possível favorecimento indireto, o que, segundo os parlamentares, justificaria a abertura de um processo de impeachment.
O líder da oposição na Câmara afirmou que a meta é reunir um número expressivo de assinaturas, com o objetivo de apresentar um dos maiores pedidos de impeachment já protocolados contra um ministro do STF. De acordo com os parlamentares envolvidos, o documento já conta com mais de uma centena de assinaturas entre deputados e senadores.
Pela legislação, cabe ao presidente do Senado decidir se o pedido será aceito e encaminhado para análise. Para que um ministro do STF seja afastado, é necessário o voto favorável de dois terços dos senadores.
Paralelamente ao pedido de impeachment, a oposição articula a criação de uma CPMI para investigar o Banco Master. Para a instalação da comissão, são exigidas assinaturas de pelo menos 171 deputados e 27 senadores.
Os parlamentares afirmam que a CPMI teria como objetivo esclarecer possíveis irregularidades financeiras e eventuais relações entre a instituição bancária e autoridades públicas. A comissão é vista como uma forma de ampliar a pressão política e dar maior transparência ao caso.
Com o fim do recesso parlamentar, a oposição pretende intensificar as articulações políticas para garantir apoio às duas iniciativas. Integrantes do grupo reconhecem que o avanço do impeachment enfrenta resistência no Senado, mas afirmam que o movimento busca, sobretudo, provocar debate público e apuração dos fatos.
Até o momento, o ministro Alexandre de Moraes não se manifestou oficialmente sobre o novo pedido anunciado pela oposição.
